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title: "CBS e IBS: o que você precisa saber sobre esses novos tributos"
description: Entenda o que são a CBS e o IBS, os dois pilares da Reforma Tributária brasileira, como eles substituem PIS, COFINS, ICMS e ISS, quem será afetado e o cronograma de implementação até 2033.
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# [CBS e IBS: o que você precisa saber sobre esses novos tributos](https://www.ancorafin.com.br/blog-da-âncora-consultoria-financeira/cbs-e-ibs-o-que-você-precisa-saber-sobre-esses-novos-tributos)

 Escrito por [Jeferson Silveira](https://www.ancorafin.com.br/blog-da-âncora-consultoria-financeira/author/jeferson-silveira) | Mar 20, 2026 11:56:52 AM

A maior reforma tributária em décadas reestrutura completamente a tributação sobre consumo no Brasil. Dois novos tributos substituem cinco — e as regras do jogo mudam para todos.

Março 2025 ◆ Leitura: 10 min ◆ Tributação Empresarial

*✦*

O sistema tributário brasileiro acumulou, ao longo de décadas, uma camada sobre camada de impostos, contribuições, regimes e exceções que transformaram a conformidade fiscal em um fardo pesadíssimo para as empresas. São mais de 90 tributos diferentes, legislações contraditórias e um custo de adaptação estimado em 1.500 horas por ano para cada negócio. A Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, é a resposta mais ambiciosa já tentada para esse problema — e no centro dessa reforma estão dois novos tributos que todo empresário, contador e gestor financeiro precisa entender: a CBS e o IBS.

## Dois tributos, uma lógica — o IVA Dual brasileiro

Antes de mergulhar nos detalhes de cada um, é importante entender o modelo que os unifica. O Brasil adotou o chamado **IVA Dual** — dois Impostos sobre Valor Agregado com esferas distintas, funcionando sob as mesmas regras fundamentais. A ideia é simples: tributar o consumo de forma não cumulativa, permitindo que cada elo da cadeia produtiva deduza o tributo já pago nas etapas anteriores — eliminando o temido efeito cascata que hoje encarece produtos e serviços brasileiros.

🌍 O que é o IVA?

O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é adotado por mais de 170 países. Sua lógica central é a não cumulatividade: cada empresa paga imposto apenas sobre o valor que *ela* agregou ao produto ou serviço — deduzindo o tributo já recolhido por quem veio antes na cadeia. O resultado é um sistema mais justo, mais transparente e sem o efeito cascata.

O Brasil escolheu o modelo **dual** — dois IVAs com esferas distintas — para preservar a autonomia fiscal de estados e municípios, exigência do nosso pacto federativo. A CBS é o IVA federal; o IBS é o IVA subnacional.

## O antes e o depois: cinco tributos viram dois

A reforma não é apenas uma troca de nomes. É uma mudança estrutural de lógica. Veja o que some e o que chega:

📋 Sistema atual (até 2033)

**PIS**

**Contribuição Federal** 0,65% (cumulativo) ou 1,65% (não cumulativo)

**COFINS**

**Contribuição Federal** 3% (cumulativo) ou 7,6% (não cumulativo)

**IPI**

**Imposto Federal sobre Produtos Industrializados** Alíquotas variáveis por produto

**ICMS**

**Imposto Estadual sobre Circulação** 17% a 25% — varia por estado e produto

**ISS**

**Imposto Municipal sobre Serviços** 2% a 5% — varia por município

→

✦ Novo sistema (a partir de 2033)

**CBS**

**Contribuição Federal sobre Bens e Serviços** ~8,8% — não cumulativo pleno, crédito amplo

**IBS**

**Imposto Subnacional sobre Bens e Serviços** ~17,7% — alíquota unificada por estado e município

**IS**

**Imposto Seletivo** Sobre itens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente (tabaco, bebidas alcoólicas, veículos poluentes)

## Os números da mudança

Tributos extintos

5

PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS

Alíquota padrão combinada

~26,5%

CBS + IBS somados (estimativa inicial)

Duração da transição

8 anos

de 2026 a 2033 — sistemas paralelos

## CBS vs. IBS: as diferenças que importam

| Critério | CBS | IBS |
| --- | --- | --- |
| Esfera | Federal (União) | Estados + Municípios |
| Substitui | PIS + COFINS | ICMS + ISS |
| Não cumulatividade | Plena | Plena |
| Alíquota estimada | ~8,8% | ~17,7% (soma de todos os entes) |
| Início de vigência | 2026 (teste) / 2027 (pleno) | 2027 (gradual) / 2033 (pleno) |
| Gestão do crédito | Receita Federal | Comitê Gestor do IBS (novo órgão) |
| Princípio de destino | Sim | Sim |
| Simples Nacional | Regras específicas | Regras específicas |

> "A CBS e o IBS compartilham a mesma base de incidência, as mesmas regras de crédito e o mesmo princípio de destino — o que muda é apenas quem arrecada. Essa uniformidade é exatamente o que o sistema antigo não tinha."

## A linha do tempo da implementação

A transição foi desenhada para ser gradual — o que exige atenção ao calendário por parte de empresas, contadores e gestores:

 

Dezembro de 2023

EC 132 é promulgada

A Emenda Constitucional 132 cria a CBS e o IBS na Constituição Federal. A reforma tributária mais abrangente em décadas ganha força de lei.

CBSIBSIS

 

2024 – 2025

Regulamentação e leis complementares

Aprovação das leis complementares que detalham alíquotas, regimes especiais, exceções setoriais e o funcionamento do Comitê Gestor do IBS. Período de definição das regras do jogo.

 

2026

CBS começa — alíquota de teste de 0,9%

A CBS passa a coexistir com PIS e COFINS. Empresas recolhem os três simultaneamente. O crédito gerado pela CBS já pode ser utilizado para abater PIS e COFINS. Início do IBS também com alíquota reduzida.

CBS iniciaIBS inicia

 

2027 – 2028

Extinção do PIS e da COFINS — CBS em alíquota plena

PIS e COFINS são extintos. A CBS assume com alíquota plena. O IBS começa a substituir gradualmente o ICMS e o ISS — com redução progressiva das alíquotas dos tributos antigos a cada ano.

CBS plena

 

2029 – 2032

Transição do ICMS e ISS para o IBS

Redução progressiva de ICMS e ISS em 10% ao ano. O IBS cresce na mesma proporção. Estados e municípios definem suas alíquotas dentro do novo modelo.

IBS cresce

 

2033

Novo sistema em plena vigência

ICMS e ISS são completamente extintos. CBS e IBS operam em alíquota plena. O Brasil passa a ter, finalmente, um sistema tributário sobre consumo alinhado ao padrão internacional.

CBSIBSIS

## Impactos por setor: quem ganha e quem precisa ficar atento

🏭

Indústria — tendência de alívio

Cadeias produtivas longas se beneficiam mais do crédito amplo. O efeito cascata — que hoje eleva artificialmente os custos industriais — é eliminado com CBS e IBS.

💼

Serviços — atenção ao aumento de carga

Prestadores que hoje recolhem PIS/COFINS no regime cumulativo (3,65%) podem enfrentar carga maior com a CBS plena. O impacto varia significativamente por atividade.

🛒

Comércio — simplificação e crédito amplo

Varejistas e distribuidores ganham com a não cumulatividade plena e o crédito automático sobre compras — reduzindo o custo tributário embutido nos estoques.

🌾

Agronegócio e saúde — alíquotas reduzidas

Alimentos da cesta básica, medicamentos e serviços de saúde terão alíquotas reduzidas ou zeradas — protegendo o acesso da população de menor renda.

📋

Simples Nacional — impacto ainda incerto

MEIs e microempresas terão tratamento diferenciado, mas as regras finais ainda estão sendo regulamentadas. Fique próximo do seu contador para atualizações.

📊

Contabilidade — menos complexidade

Um único regime de apuração e regras unificadas para CBS e IBS devem reduzir as 1.500 horas anuais de conformidade fiscal estimadas para empresas brasileiras.

⚡ Atenção: período de dupla tributação (2026–2033)

Durante a transição, empresas operarão com dois sistemas fiscais simultâneos — o antigo e o novo. Isso significa maior complexidade operacional no curto prazo, exigindo sistemas contábeis e fiscais adaptados para apurar CBS/IBS e PIS/COFINS/ICMS/ISS ao mesmo tempo. Esse custo de transição precisa entrar no planejamento financeiro de 2026 em diante.

## O que fazer agora? Cinco passos concretos

A reforma não chega de uma vez — mas a preparação precisa começar hoje. Empresas que anteciparem as mudanças terão vantagem real na virada do sistema:

- 1
  
  **Mapeie sua carga tributária atual em detalhes.** Quanto você paga hoje de PIS, COFINS, ICMS e ISS — separadamente e por operação. Sem conhecer o "antes", é impossível avaliar o "depois".
- 2
  
  **Simule o impacto da CBS e do IBS no seu setor.** Peça ao seu contador uma simulação comparativa com os novos tributos aplicados à sua realidade — faturamento, insumos, fornecedores e margem.
- 3
  
  **Analise a cadeia de créditos disponíveis.** Com a não cumulatividade plena, você poderá deduzir CBS e IBS pagos por fornecedores. Mapear sua cadeia produtiva pode revelar oportunidades de redução de carga que hoje não existem.
- 4
  
  **Atualize seus sistemas de gestão e ERP.** O software fiscal precisa suportar os dois sistemas durante a transição. Verifique o roadmap do seu fornecedor e planeje a migração com antecedência.
- 5
  
  **Mantenha-se atualizado com a regulamentação.** Alíquotas definitivas, regimes especiais e tratamento do Simples ainda estão sendo definidos. A informação correta e no tempo certo é vantagem competitiva real nesse cenário.

**Conclusão:** CBS e IBS representam uma virada histórica na tributação brasileira. A promessa é de um sistema mais simples, mais transparente e mais justo — mas a transição de 8 anos exige preparação ativa. Empresas que entenderem a lógica dos novos tributos antes da virada sairão na frente. As que esperarem sentadas pagarão o preço da surpresa.

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