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uma barra de ouro no valor de 1 milhão de reais
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Quanto renderia R$ 1 milhão na poupança com a Selic a 15%aa?

Jeferson Silveira
Jeferson Silveira

Fizemos as contas — e o resultado revela por que deixar dinheiro parado na poupança pode ser um erro custoso.

Março 2025 Leitura: 8 min Investimentos

Um milhão de reais. Para a maioria dos brasileiros, essa cifra representa anos de trabalho, sacrifício e disciplina financeira. Quem chega lá, naturalmente quer que esse dinheiro continue trabalhando — de preferência com segurança e liquidez. E é aí que entra a poupança, destino histórico do dinheiro conservador no Brasil. Mas com a Taxa Selic a 15% ao ano, será que a poupança ainda faz sentido? A resposta, como veremos, é reveladora.

Como funciona o rendimento da poupança?

Antes de calcular, é preciso entender as regras atuais da poupança, que mudaram em 2012 com a chamada "nova poupança". O rendimento segue uma lógica binária baseada no nível da Selic:

  • A
    Selic acima de 8,5% ao ano: a poupança rende sempre 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial), independentemente de quão alta a Selic esteja. É um teto fixo.
  • B
    Selic igual ou abaixo de 8,5% ao ano: a poupança rende 70% da Selic + TR, acompanhando parcialmente a taxa básica.

Com a Selic a 15% ao ano, estamos claramente na primeira regra. A poupança rende 0,5% ao mês + TR. A TR atualmente é próxima de zero, então podemos considerá-la desprezível nos cálculos práticos.

⚠️ A Regra do Teto

Com a Selic a 15% ao ano, a poupança não acompanha os juros. Ela fica "travada" em 0,5% ao mês — equivalente a cerca de 6,17% ao ano (com capitalização composta). Enquanto isso, o mercado oferece aplicações que pagam próximo de 100% da Selic.

O cálculo: R$ 1 milhão na poupança

Com a regra de 0,5% ao mês e TR ≈ 0, veja quanto R$ 1.000.000,00 rende ao longo do tempo na poupança:

Em 1 mês
R$ 5.000
líquido, isento de IR
Em 12 meses
R$ 61.677
rendimento anual bruto
Em 24 meses
R$ 127.160
acumulado (juros sobre juros)

 

O saldo ao final de 12 meses seria de aproximadamente R$ 1.061.677. Parece bastante? Então compare com o que as alternativas oferecem no mesmo cenário.

As contas não fecham (Story)-1

Comparação com outras aplicações

A grande perda da poupança fica evidente quando colocamos ela lado a lado com outras aplicações de renda fixa — todas com segurança equivalente e, em alguns casos, garantia do FGC:

Aplicação Taxa bruta (ano) IR Rendimento líquido¹ Saldo após 12 meses
Poupança ~6,17% a.a. Isento R$ 61.677 R$ 1.061.677
Tesouro Selic ~15% a.a. 17,5% R$ 123.750 R$ 1.123.750
CDB 100% CDI ~15% a.a. 17,5% R$ 123.750 R$ 1.123.750
LCI / LCA (95% CDI) ~14,25% a.a. Isento R$ 142.500 R$ 1.142.500
CDB 110% CDI ~16,5% a.a. 17,5% R$ 136.125 R$ 1.136.125

 

¹ Cálculos aproximados. IR aplicado pela alíquota de 17,5% (prazo entre 361 e 720 dias). LCI/LCA isentos de IR para pessoa física. Valores para fins didáticos.

"A diferença entre a poupança e o Tesouro Selic em um ano, para quem tem R$ 1 milhão, é de mais de R$ 62.000 — dinheiro suficiente para custear um ano inteiro de faculdade particular, uma viagem ao exterior ou o FGTS de um trabalhador assalariado."

Por que a poupança perde tanto?

A lógica é simples: quando a Selic é alta, o teto de 0,5% ao mês da poupança representa uma fração cada vez menor do que o mercado paga. Com a Selic a 15% ao ano, a poupança entrega apenas 41% da taxa básica. Em outras palavras, quem deixa dinheiro na poupança nesse cenário está abrindo mão de quase 60% do rendimento disponível no mercado.

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⚡ Atenção: inflação corrói o ganho real

Com inflação anual projetada em torno de 5–6%, o rendimento real da poupança (o que sobra depois de descontar a inflação) fica em torno de apenas 0,5% a 1% ao ano. O dinheiro cresce nominalmente, mas perde poder de compra a longo prazo.

Mas a poupança tem alguma vantagem?

Sim — e seria desonesto ignorá-las. A poupança possui atributos legítimos que ainda a tornam relevante em contextos específicos:

  • 1
    Isenção de Imposto de Renda. Para valores menores ou prazos curtos, a isenção pode tornar a poupança competitiva frente a aplicações taxadas com alíquotas altas.
  • 2
    Sem come-cotas. Fundos DI cobram IOF e o chamado "come-cotas" semestral. A poupança não tem esse custo.
  • 3
    Simplicidade e acesso. Qualquer pessoa com conta bancária pode abrir uma poupança. Não há taxa de administração, não há burocracia.
  • 4
    Garantia do FGC. Como qualquer depósito bancário, a poupança é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250.000 por CPF por instituição.

Para quem a poupança ainda pode fazer sentido: pequenos poupadores com valores abaixo de R$ 5.000, pessoas que precisam de liquidez imediata diária sem entender Tesouro Selic, ou como "cofre" para dinheiro que será usado em poucos dias.


O que fazer com R$ 1 milhão, então?

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Com um capital desse porte, a estratégia ideal passa por diversificação dentro da própria renda fixa, aproveitando isenções fiscais, prazos diferentes e emissores variados para maximizar o rendimento com segurança.

  • A
    Reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária. Rende próximo a 100% do CDI e resgata no dia útil seguinte.
  • B
    Renda fixa isenta: LCI e LCA com prazos a partir de 90 dias oferecem rendimentos equivalentes a CDBs tributados — mas sem IR.
  • C
    Crédito privado com prêmio: Debêntures incentivadas e CRIs/CRAs isentos de IR podem oferecer spreads interessantes para quem aceita um pouco mais de risco de crédito.

Independentemente da escolha, o ponto central permanece: com a Selic a 15% ao ano, manter um milhão de reais na poupança significa abrir mão de mais de R$ 60 mil por ano sem qualquer contrapartida de segurança extra. É o custo invisível da inércia financeira.

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